La Salle
Jornal da E. E. B. São João Batista de La Salle
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A HISTÓRIA DE SÃO JOÃO BATISTA DE LA SALLE
Por Elisângela Marta da Silva (Professora), em 2014/04/141819 leram | 1 comentários | 55 gostam
JOÃO BATISTA DE LA SALLE - A CORAGEM DE DAR A VIDA
Consagrou sua vida a formar professores destinados a formação de crianças pobres.
João Batista de La Salle (nascimento:30 de abril de 1651 em Reims, França – morte: 07 de abril de 1719, Saint-Yon, França) foi um sacerdore, pedagogo e pedagogista francês inovador, que consagrou sua vida a formar professores destinados a formação de crianças pobres. Foi fundador de uma congregação religiosa, os Irmãos das Escolas Cristãs, ou Irmãos Lassalistas, dedicada à educação, especialmente dos mais pobres. Em 15 de Maio de 1950 foi declarado patrono de todos educadores, pelo Papa Pio XII.
Foi beatificado em 1888 e canonizado em 24 de maio de 1900, pelo Papa Leão XIII, sua festa litúrgica é comemorada no dia 07 de abril.

No ano de 1660, João Batista é matriculado no colégio nobre dos “Bons Enfants” de Reims, junto dele estão outros meninos, todos em uniforme de gala, todos igualmente assustados. O colégio é conhecido pelo ensino de austeridade, os mestres são severos até nos raros momentos de recreio, onde aqueles meninos de 9 anos são obrigados a falar latim.
Já no colégio, o menino lembra-se com carinho de avó, quando ela abria um dos belos volumes da sua estante e lia-lhe a vida dos santos. João Batista ouvia encantado a história dos mártires atirados às feras, dos antigos eremitas habitantes das cavernas solitárias, do soldado Inácio ferido sob as muralhas da Pamplona e tocado por Deus, do missionário Francisco Xavier que tinha navegado até as índias, para levar aos pagãos a fé.
Em 1662, João Batista com 11 anos, além de estudar, aprendera a conversar com Deus, com confiança e respeito. Fixando longamente Jesus crucificado, morto por nosso amor, um dia disse a Ele: “Tu deste a vida por mim. Pois eu também vou dar a minha por ti.” E em uma conversa particular com o pai e com a mãe, pede-lhes licença para se fazer padre.
João Batista De La Salle com 19 anos, entra para o seminário de São Sulpício em Paris, onde é levado a uma vida serena mas decidida de pobreza, obediência, desapego do mundo. Lá ele aprendeu que “É preciso viver como os pobres, para se poder compreender os pobres”, dizia Vicente de Paulo, homem santo que lutou para tentar conter o avanço da miséria na terra francesa.
Assim, durante os 18 meses passados no seminário, João e outros seminaristas, aos domingos saem à procura de meninos. Descobre-os nas vielas estreitas, úmidas, nos cortiços. Esses meninos têm olhos apagados. Se consegue atraí-los com brinquedos, histórias tiradas da vida dos santos. Mas quando lhes dá algum livrinho para lerem, torcem o nariz. Não sabem nem ler nem escrever, e nem têm a menor esperança de vir a sabê-lo algum dia.
Na cidade há escolas, mas só para quem pode pagar, os pobres são excluídos. Então, no seminário se sente a urgência de abrir escolas gratuitas para levar aos pobres a instrução. Junto à igreja experimenta-se abrir a Escola Paroquial, e João Batista acompanha a escola com interesse. É o primeiro indício da missão que Deus está para confiar-lhe.
Em 19 de julho de 1971, morre a sua mãe e nove meses depois o seu pai, foram dias amargos para João Batista que imediatamente deixa o seminário e volta para Reims, pois os sete filhos dos De La Salle são órfãos.
Somente em 9 de abril de 1678, João Batista De La Salle torna-se sacerdote e no dia seguinte, reza a sua primeira missa. No final da cerimônia, enquanto João Batista, ainda comovido, tira os paramentos, o Padre Nicolas Roland lhe pede ajuda nas Irmãs do Menino Jesus, quatro escolas para meninas pobres que estavam ameaçadas de fechamento. “É preciso salvá-las e ir em frente” disse Nicolas. Foi uma das últimas coisas que fez, dez dias depois uma violênta hemorragia o prostra. No seu testamento indica o cônego De La Salle como herdeiro da sua obra.
João Batista se lança com entusiasmo à obra deixada pela metade por Roland. As autoridades tiveram de ceder ao argumento dado: “Recusar a continuar com as escolas onde são educadas mais de mil meninas pobres, significa tornar-se responsável pelo seu desvio. Uma vergonha, uma desonra e uma triste responsabilidade para aqueles que estão encarregados de velar pelo bem comum.” A aprovação oficial do rei Luís XIV, chega no dia 17 de fevereiro de 1679, porém o arcebispo nomeia outro nome para esta obra.
Trinta dias depois, De La Salle, recebe uma carta da senhora Maillefer, de família nobre de Rouen, mostrando satisfação com o trabalho feito pelas meninas e pedindo ajuda para abrir uma primeira escola para meninos pobres, quanto ao dinheiro necessário, ela seria a responsável.
João Batista estende a mão e se poẽ à disposição para uma obra tão importante. Nos dias seguintes, vai ter com as autoridades uma conversa sobre as condições dos meninos abandonados nas ruas de Reims e em três semanas obtem o consentimento de todos. É como um sinal de partida, derepente todos tomam consciência e no espaço de seis meses são abertas cinco escolas, financiadas por ricas senhoras de Reims.
O próprio cônego La Salle foi o responsável pela formação dos professores. Alguns abandonaram a vida de monge professor, outros seguem o exemplo de João Batista e partem para fundar novas escolas.
Em 1680 Luís XIV recomeçou a guerra, e as ruas voltaram a ser inundadas pela miséria. A pobreza se torna cada vez mais dura para todos. João Batista recomenda aos seus a confiança em Deus: “Continuemos a servir os pobres, que a Providência não nos abandonará.” Em 1684 vende tudo o que possui e com a ajuda dos seus colaboradores distribui tudo aos pobres.
Quando não tinha mais absolutamente nada, o P. La Salle quis experimentar também na própria pele a humilhação dos pobres: durante dias e dias andou mendigando junto com os miseráveis, colocando-se na fila com eles. Viveu de pão e água recebidos de esmola. Agora podia falar de pobreza e convidar seus professores a dedicar-se com mais generosidade ao Senhor.
O P. La Salle e seus irmãos passaram por todos os tipos de dificuldades, novamente a guerra, vinganças, ataque dos professores que eram pagos para dar aula, a fome a miséria.
Naqueles anos de pobreza, o P. La Salle começa a escrever os livros que se tornarão as vigas mestras da sua Congregação. As regras comuns fixam a fisionomia espiritual dos Irmãos das Escolas Cristãs, tal como se tinha vindo lentamente delineando através de provações, sofrimentos, revisões.
A norma das escolas é o fruto de longos anos de experiências, e de todo o amor que João Batista consagrou aos meninos pobres. Fixa as linhas fundamentais do método educativo dos Irmãos. Este método marcará a revolução total nas escolas da França e da Europa. Acaba-se com os castigos corporais e surge a figura do professor-educador, que dedica a vida ao menino-pessoa, digno de respeito e de afetuosa atenção.
Para os irmãos escreve livros espirituais traçando um panorama da do professor. Os irmãos são religiosos que renunciam ao sacerdócio para dedicar a vida à transmissão da palavra de Deus aos jovens na escola. “Educadores Cristãos”, eis o que são os Irmãos. Educar cristãmente, para La Salle, significa levar os jovens a encontrar Deus na oração, fazê-los viver à luz da sua presença, guiá-los para nele colocarem o fundamento do compromisso e da alegria.
Em 1701, o P. La Salle completa 50 anos. Agora que o manípulo de Irmãos se tinha multiplicado, ele percebeu que para ele se tinha iniciado a última “estação” da vida. Os anos seguintes seriam de intens trabalho, de problemas cada vez mais difíceis, de obras que haveriam de desafiar o tempo.
Com 65 anos, João Batista de La Salle estava mais envelhecido, mais cansado, mas os seus olhos se tinham tornado mais serenos, risonhos. E aos Irmãos e amigos ele dá um depoimento: “Confesso-lhes, senhores, que se Deus, mostrando-me o bem que haveria de realizar o Instituto, me tivesse revelado também o sofrimento e as cruzes que devia arrostar, ter-me-ia faltado a coragem e não teria tocado nem com um dedo o trabalho a começar.”
16 de maio de 1717, o P. La Salle convoca os Irmãos que tem as maiores responsabilidades na Congregação, convencendo-os da necessidade de eleger um novo superior. Da eleição, feita por escrutínio secreto, resultou eleito o irmão Barthélemy.
Morreu na tarde do dia 17 de abril de 1719. Era Sexta-feira santa. Nos derradeiros momentos, o irmão Barthélemy o ajudou a murmurar a oração que os Irmãos tinham aprendido com ele a rezar todas as noites: “Maria, Mãe de Deus, doce Mãe d'Aquele que perdoa, defendei-nos do inimigo, e acolhei-nos na hora da morte.”

Bibliografia:
BOSCO, Teresio. JOÃO BATISTA DE LA SALLE – A coragem de dar a vida. São Paulo: Editorial Dom Bosco, 1979.
“Jean Baptiste De La Salle”, edição sob os cuidados da Editora L.D.C. - Turim-Leumann (Itália) Tradução de João Paixão Netto, sob os cuidados da Editorial Dom Bosco, de São Paulo.


Comentários
Por Elisângela Marta da Silva (Professora), em 2014/04/14
É uma história impressionante e de muita coragem. Não deixem de ler.

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